A voz dos participantes: enfoque em diferentes experiências

D. Eduardo Rodríguez Calderón, especialista de ACTRAV no Escritório da OIT para os Países Andinos, em Lima, participou na Academia de Género em novembro de 2015 e no Seminário de Direito Internacional e Comparado do Trabalho em setembro de 1983.

Sei que foi participante no Centro de Turim em dois períodos diferentes da sua vida, com capacidades distintas. Poderia dizer aos nossos leitores quais foram as principais diferenças entre estas duas experiências?

 

Se me permite, prefiro começar pelo inverso: em comum, foram os princípios que sustentam a OIT e que se resumem no conceito de justiça social e na sua concretização através das normas internacionais do trabalho que, sem dúvida, expressam o maior exercício de democracia do mundo. O Seminário serviu para conhecer o sistema normativo internacional do trabalho e a sua relação com os nacionais; a Academia serviu para aprofundar o conhecimento sobre as normas referentes à igualdade de género e muito mais.

 

Algumas das principais diferenças foram:

 

O Seminário

A Academia

Destinado a

30 juristas de trabalhadores, empregadores e governo

Profissionais e peritos de diferentes profissões, de empregadores, trabalhadores, governos e organizações não-governamentais, no total de 150 mulheres e homens.

De

Países da América Latina

Do mundo

Objetivo

Conhecer o sistema internacional das normas internacionais do trabalho e a sua inter-relação com o quadro constitucional e de trabalho dos países da América Latina

Como fazer para promover a igualdade de género utilizando ferramentas e métodos disponíveis a nível do Sistema das Nações Unidas, assim como de práticas bem sucedidas

Idioma

Espanhol

Espanhol, inglês, francês e árabe

Duração

4 semanas (duas em Turim, uma em Madrid e outra em Genebra)

2 semanas em Turim

Dinâmica

Fundamentalmente sessões magistrais

Diversos métodos e técnicas de formação interativa

Corpo docente

Funcionários da OIT, peritos sindicais, empresariais e governamentais de Itália e Espanha

Funcionários da OIT, ONU-Mulheres e outras instituições

E mais especificamente, quais foram os seus principais objetivos e expectativas em relação à atividade de formação de 1983 e à recente Academia de Género?

 

No Seminário, os meus objetivos foram apropriar o sistema normativo da OIT e a sua relação com o sistema jurídico mexicano; na Academia, foram melhorar o meu quadro conceptual e metodológico, a fim de desempenhar o melhor possível as minhas funções como Especialista em Atividades para os Trabalhadores e incidir sobre a perspetiva de género no seio da equipa de trabalho do Escritório da OIT para os Países Andinos. Em ambos os casos, os objetivos e expectativas foram cumpridos.

 

Qual o impacto que a primeira formação teve na sua carreira, na sua organização e no seu país?

 

No imediato, como docente e posteriormente como Coordenador da licenciatura em Direito com especialidade laboral do Centro Sindical de Estudos Superiores, da Confederação de Trabalhadores do México (Confederación de Trabajadores de México, CTM), permitiu-me contribuir para uma formação mais integral dos dirigentes e assessores sindicais para a defesa e promoção dos interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras dessa Confederação.

 

Como assessor do Comité Misto Nacional de Proteção dos Salários (Comité Mixto Nacional de Protección al Salario, CONAMPROS), um organismo de assistência técnica do Congresso do Trabalho no México, permitiu-me tornar presentes as normas da OIT referentes à fixação dos salários e respetiva tutela.

 

A formação que recebi foi muito útil quando trabalhei para a Organização Regional Interamericana de Trabalhadores – ORIT (entidade hemisférica extinta CIOSL), a União Internacional de Trabalhadores da Alimentação e, desde 1997, enquanto funcionário em atividades para os trabalhadores da OIT.

 

Porque decidiu inscrever-se na Academia de Género?

 

Porque trabalho como ponto focal de género no Escritório da OIT para os Países Andinos, o que exige de mim uma maior competência e compromisso laboral para poder contribuir para a promoção da igualdade de género.

 

Quais eram os seus objetivos pessoais quando decidiu voltar a Turim?

 

Dispor de métodos e ferramentas úteis para incorporar a perspetiva de igualdade de género no meu trabalho e na minha vida.

 

 

E para a sua organização?

 

Aprofundando o que foi indicado anteriormente, diria que, no âmbito da assistência técnica às organizações sindicais, contribuir para promover estratégias mais adequadas de filiação das mulheres e de negociação coletiva com uma perspetiva de género; redobrar os esforços para que nos países andinos a ratificação da C. 189 seja terminada e, nos países que o fizeram, que seja aplicada e cumprida, beneficiando assim de forma direta um dos grupos de mulheres mais excluídas dos benefícios laborais e da segurança social. Contribuir para redobrar os esforços para tornar realidade os princípios e direitos contidos nas convenções, nomeadamente a 100, 111 e 156, que permitirão mudar o rosto das nossas sociedades caracterizadas pela discriminação e a desigualdade.

 

E, apoiar a transversalidade de género no plano de trabalho do Escritório.

 

Encontrou um Centro totalmente novo. Qual a sua opinião a esse respeito?

 

De facto, as instalações foram remodeladas e são mais confortáveis, existe equipamento moderno e mais conforme a um centro de formação internacional.

 

O que diria a um futuro participante nas nossas atividades de formação após estas duas experiências?

 

Que a experiência de formação neste Centro é uma boa experiência de vida, que deixa uma marca e o compromete na luta pela justiça social.

 

Que venha, que vale a pena, que será uma oportunidade de renovação e crescimento profissional, que poderá construir e fazer parte de uma rede de profissionais empenhados no desenvolvimento, que o ajudará a ter uma visão mais integral do mundo do trabalho.

 

 

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