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Entrevista com a Rainha Mãe Nkem Victoria Ikenchuku, Honorável Comissária da Direção para os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) do estado do Delta, Nigéria

e participante do curso “Gestão da implementação de projetos financiados por bancos de desenvolvimento” (Management of project implementation in development banks funded projects).

Poderia falar-nos sobre o papel da mulher no seu país?

O papel das mulheres na Nigéria é bastante multifacetado e multidimensional. Muitas mulheres exercem uma profissão, dependendo da classe que estivermos a analisar, e todas elas desempenham múltiplos papéis. Há mulheres que desenvolvem a sua atividade na política, no setor público e no setor privado. A nível nacional, temos vários ministérios, departamentos e organismos geridos por mulheres e, no estado do Delta, que é o meu estado de origem, o Governador, Sua Excelência Dr. Emmanuel Eweta Uduaghan (Comandante da Ordem do Níger), é muito sensível às questões de género. Temos um elevado grau de cumprimento da política de discriminação positiva a favor da participação da mulher no governo, de 35%, quer no estado do Delta que a nível nacional.

As mulheres são, em simultâneo, esposas, mães, e dedicam-se à agricultura, ao comércio, à manufatura e a outros empreendimentos, demonstrando ter boas capacidades de gestão quer no setor público quer no setor privado da nossa economia.

Quais são as questões que mais exigem a sua atenção?

Penso que todas as questões requerem a minha atenção, pois todas elas têm as suas especificidades. As mulheres da classe média e as mulheres que se dedicam à política, por exemplo, podem ter dificuldade em gerir o stress. Contudo, no estado do Delta, o nosso enfoque são as mulheres rurais. É-lhes atribuído microcrédito e é-lhes dada a oportunidade de demonstrarem as suas capacidades empreendedoras e de gestão de fundos. Elas são, hoje, economicamente independentes. Além de que as mulheres rurais têm uma grande mentalidade empresarial e são gestoras financeiras sérias e eficientes. Aprendemos imenso com elas.

Quais foram os seus objetivos em termos institucionais ao participar no curso?

Atualmente, sou a Comissária da Direção para os ODM do estado do Delta. Para assegurar a gestão de projetos, especialmente projetos financiados pelo Banco Mundial no quadro dos ODM, as capacidades de gestão do projeto têm de ser melhoradas. Por essa razão, eu e outros dois membros da nossa equipa estamos aqui para aperfeiçoar as nossas capacidades de gestão da Direção. Estamos muito centrados nessa questão e em todas as outras matérias relacionadas com a gestão de projetos. Por exemplo, nós consideramos que o planeamento, o acompanhamento e a avaliação são muito importantes. A avaliação é feita em diferentes níveis e por diversos agentes, como por exemplo as partes interessadas. Através desta formação queremos aprender como alocar recursos em função do tempo e dos custos. Estas capacidades precisam de ser melhoradas constantemente para assegurar uma melhor eficiência e transparência.

Como tomou conhecimento desta atividade?

Através do sítio de internet. Além disso, alguns membros da Administração Pública do estado do Delta estiveram aqui há alguns anos. Pensamos que este curso estava bastante em linha com o reforço de competências do pessoal que trabalha para a realização dos ODM.

Pode dizer aos nossos leitores algo sobre a sua experiência no curso?

O ambiente é muito favorável e propício para a aprendizagem. É um ambiente que representa o mundo e o espírito das Nações Unidas, especialmente com as residências designadas a partir de nomes de países e continentes. As diferentes necessidades académicas e pessoais são atendidas no Centro, não há razão para procurar no exterior qualquer tipo de serviço, desde lavandaria, correios, bancos ou cuidados médicos, tudo é providenciado no local. Somos encorajados a concentrar-nos na formação. O conteúdo do curso é muito rico, o programa de formação está bem articulado e o horário é seguido à risca. Os facilitadores são muito profissionais e estão inclusive disponíveis para nos darem apoio fora do horário do curso. Tem sido uma experiência muito enriquecedora.

Estou ansiosa por colocar em prática a utilização eficiente dos recursos, fazendo um acompanhamento dos progressos realizados num projeto com prazos definidos, e isto é parte do exercício prático em que participámos hoje. É também muito importante assegurar uma comunicação adequada dentro do projeto, uma vez que os membros da Unidade de Coordenação do Projeto estão no terreno. Partilhamos igualmente a capacidade de identificar atividades práticas no projeto, determinando as datas adequadas para realizar estas tarefas.

Considera que adquiriu novas ideias e pontos de vista em relação ao desenvolvimento do projeto? Quais são os seus planos quando regressar a casa?

A equipa do estado do Delta está preparada para entrar em ação. Identificámos várias estratégias de gestão de projetos que poderão melhorar o nosso desempenho, as quais iremos partilhar com o pessoal da nossa equipa quando regressarmos. Estou sempre a dizer aos meus colegas que, quando regressarmos, temos de transmitir o mais possível estes conhecimentos, sensibilizar o nosso pessoal com sessões de formação e traduzir efetivamente a teoria em prática.

Este curso trouxe-lhe alguma ideia para entrar em ação?

Estou empenhada em transmitir a mensagem do Centro de Turim.

Na sua opinião, como poderá esta atividade de formação contribuir para o desempenho da sua função no seu país?

Nós seremos mais eficientes e eu poderei cumprir a minha função na realização dos objetivos gerais do Governo do estado do Delta, especialmente em termos de reforço de capacidades, através da gestão dos recursos humanos, físicos e financeiros.

Gostaria de deixar alguma mensagem especial a este respeito?

Esta formação tem sido realmente útil para os gestores de projetos, ajudando-os a manterem-se mais centrados e a gerirem os fundos de forma mais eficiente. Penso que a formação deveria abranger o maior número possível de pessoas; ou então, deveriam permitir a participação através da internet. Na Nigéria, no estado do Delta, sofremos inundações terríveis que afetaram 45-50.000 pessoas, pelo que teremos de desenvolver projetos de reconstrução e reabilitação. Estas capacidades que adquirimos são efetivamente necessárias para o processo de reabilitação, bem como para a minha principal tarefa de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio no estado do Delta.

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