Voz dos participantes: foco na comunicação dos direitos laborais

Entrevista a dois participantes na atividade de formação sobre “Comunicar os direitos laborais: uma formação para profissionais dos meios de comunicação”, em Turim, de 2 a 6 de novembro de 2015

Esta dupla entrevista foi realizada com:

 

Sra. Surabhi Kumar, Editora-Adjunta Sénior, The Hindu Business Line, Nova Deli

 

e

 

Sr. Aoun Abbas, Chefe de Escritório de Islamabad, Notícias, Channel 24, Central Media Network, Islamabad

 

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Pode apresentar-se?

 

Surabhi

 

Chamo-me Surabhi Kumar e trabalho para o The Hindu Business Line, em Nova Deli. Sou jornalista especialista em assuntos empresariais e escrevo sobre políticas relacionadas com finanças, economia, mercados de trabalho. Queria ser jornalista para ter a oportunidade de escrever sobre matérias que ninguém gostava realmente de escrever e também para produzir notícias interessantes para os meus leitores.

 

Aoun

 

O meu nome é Aoun Abbas, sou jornalista sediado em Islamabad e trabalho para o Channel 24, Central Media Network, como Chefe de Escritório. Sou também correspondente especial do LA India Times. Tornei-me jornalista porque queria ser a voz dos que não a têm e queria integrar as questões laborais, pois todas as questões sociais são, para mim, assuntos que me preocupam muito.

 

Que razão o/a levou a participar nesta formação em Turim?

 

Surabhi

 

Inscrevi-me neste curso porque queria escrever sobre o mercado de trabalho e as reformas laborais, e nos últimos anos a Índia tem estado a tentar reformar leis com mais de 100 anos, e existem muitas alegações feitas pelos sindicatos e pelos governos, uns contra os outros. Espero que este curso me dê uma perspetiva internacional e também um conhecimento sobre melhores práticas e normas que eu possa incorporar nas minhas histórias.

 

Aoun

 

Eu aproveitei esta oportunidade para atualizar a minha formação anterior. Mas a principal razão foi para obter perspetivas internacionais, fazer novos amigos de todo o mundo, identificar novas ideias para as minhas histórias, adquirir novas experiências junto dos meus colegas para aplicar quando regressar a casa, de modo a tornar as minhas notícias mais relevantes e atuais.

 

Enquanto jornalista, quais são as questões principais e que levantam maiores dificuldades relativamente às questões laborais no seu país?

 

Surabhi

 

As questões laborais estão a ser debatidas no meu país, mas especialmente pelos sindicatos e eles dão um bom aconselhamento aos trabalhadores. Uma questão que não é suficientemente debatida é o trabalho infantil. O governo está a trabalhar em novas emendas para banir totalmente o trabalho infantil até aos 14 anos de idade, pois todas as crianças têm o direto de frequentar a escola. Penso que esta é a principal questão, porque não há nada pior que tirar a infância a uma criança.

 

Aoun

 

No Paquistão, temos todos os problemas laborais, desde o trabalho infantil ao trabalho doméstico, e qualquer problema que se possa referir, existe. Na minha opinião, a questão mais relevante é termos leis que não são aplicadas, apesar de termos os instrumentos para as aplicar. Por exemplo, todos os acidentes de trabalho de que ouvimos falar acontecem a trabalhadores sem contrato, sem segurança social e que recebem dois dólares por dia. Eles trabalham o dia inteiro e continuam abaixo da linha de pobreza neste âmbito em particular. Segundo os registos, estas leis estão aparentemente implementadas neste âmbito, apesar de existirem 450 fábricas e nem um único sindicato, e também não há inspeção do trabalho. O que me preocupa é a falta de seriedade do governo em implementar as leis, sobretudo porque há demasiadas entidades responsáveis e as leis são demasiado complexas.

 

Dado que escreve sobre estas matérias, a título pessoal, que sucessos teve e quais os insucessos?

 

Surabhi

 

Pessoalmente, penso que a comunicação social na Índia tem um papel muito importante a desempenhar e os jornais são levados muito a sério. As minhas histórias dão às pessoas a oportunidade de debater e ponderar sobre questões como trabalho infantil, salário mínimo e, mais importante, a consulta entre trabalhadores e empregadores para o governo poder avançar com qualquer tipo de legislação e de medidas políticas.

 

Aoun

 

Esta pergunta é muito difícil, porque a inspeção do trabalho e o trabalho infantil são assuntos que me preocupam muito. A minha primeira história, que remonta a junho de 2003, foi sobre o trabalho infantil e este problema continua a persistir, por isso vejo-o como um falhanço. O governo e a sociedade não reagem e eu senti que tinha de denunciar isto e fi-lo. Por isso, é um falhanço e um sucesso ao mesmo tempo. O que posso afirmar é que continuarei a denunciar estes casos e que são matérias que me preocupam muito.

 

O que aprendeu durante esta semana e que será útil quando regressar ao seu país?

 

Surabhi

 

Compreendi que a Índia está a ficar para trás num conjunto de políticas e reformas do mercado de trabalho, e mesmo que o meu país queira ser um centro de produção industrial para o resto do mundo, não o conseguirá se não usar as melhores práticas laborais. De facto, só quando se usam boas práticas laborais é que a produtividade laboral aumenta e eu espero poder usar parte da minha formação e conhecimento nas histórias que escrevo e tornar os meus leitores na Índia mais conscientes do que se está a passar à nossa volta.

 

Aoun

 

Eu aprendi tantas coisas novas. Conheci tantas culturas novas e fiquei a conhecer o complexo sistema da OIT, que para mim foi novidade. Sendo jornalista, foi-me dada a oportunidade de ter uma visão geral do trabalho feito pela OIT, e as muitas perguntas que eu tinha antes de vir já foram respondidas. Antes de vir, na verdade, não estava bem certo do papel das Convenções, por exemplo. Agora vejo-as como uma obrigação legal que os Estados Membros devem cumprir. Aprendi definitivamente muitas coisas novas que, para mim, foram realmente relevadoras. Além de novos amigos, pude estar em contacto com peritos internacionais e isto vai levar-me a escrever histórias mais neutrais e com uma perspetiva diferente. A partir de agora, antes de escrever uma história nova, irei verificar a convenção da OIT e se esta foi ratificada pelo Paquistão. Tem sido uma espécie de pacote para mim: amigos, peritos, novas ideias, descontração e Turim.

 

 

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